Ensinamentos
A
finalidade principal do autor não era narrar com detalhe uns fatos passados,
mas ensinar que a manutenção da própria identidade religiosa e cultural não
está em contradição com a abertura a outros povos e outras gentes. Em uma época
em que se estava lavantando, no judaísmo pós-exílico de Jerusalém, um muro de
separação entre judeus e gentios, chama a atenção a benevolência com que se
trata um matrimônio misto entre Booz, um judeu, e Rute, uma estrangeira.
Tampouco se censura a Majlón e a Quilón, os filhos de Elimélec, por terem se
casado com mulheres do país de Moab. Desse modo, na Sagrada Escritura se vai
insinuando que a salvação de Deus não se limita a seu povo eleito, e tem uma
abertura universal: dirige-se
a todos os homens e mulheres de todas as raças e povos. Deus não rechaçou a uma
estrangeira, mas contou com sua fidelidade para que formasse parte da linha
genealógica do Messias.
Por
sua vez, todo o livro é um testemunho do cuidado paternal de Deus para com os
homens. Nele não se narra m intervenções divinas espetaculares, mas se observa
como Deus está por trás da aparente normalidade dos acontecimentos, velando com
sua providência. Depois do sofrimento pela morte de seus maridos, as duas
mulheres chegam a Belém precisamente no tempo da colheita, e Rute tem a sorte
de espigar no campo de um parente de Elimélec chamado Booz, justo quando este
volta para Belém. Depois, quando Booz quer resolver as questões legais para
assumir a responsabilidade sobre Rute, sobe á porta da cidade precisamente no
momento em que passava por ali o parente com quem deveria falar. Como estes, há
numerosos detalhes aparentemente intranscendentes que não mera coincidência, pois permitem entrever que Deus vela por
suas criaturas. Todas essas coisas acontecem guiadas delicadamente pela
providência de Deus, de modo que parece que acontecem com a naturalidade das
ações da vida ordinária.
A
protagonista, Rute, atua com sensibilidade religiosa e oferece um modelo digno
de imitação. Rute escolheu o Senhor como seu Deus e pôs toda a sua vida à
sombra de suas asas (Rt 2.12), isto é, sob sua proteção. Por fidelidade a Ele,
deixou sua terra e a casa de seus pais, e Deus abençoou com abundância SUS
generosidade e fidelidade.
O Livro de Rute à luz do Novo Testamento
À
luz do Novo Testamento se entende como o Senhor fez de Rute uma das grandes
mulheres que protagonizam a história da salvação, da mesma maneira que ocorreu
com Raquel, Lia ou Tamar. De seu neto nasceria o Rei Davi e por isso teve a
honra de que seu nome aparecesse na linha direta da que haveria de nascer Jesus
Cristo.
A
tradição cristã viu em Rute todos
os homens e mulheres de todos os povos que, ao conhecer o Senhor, se incorporam
à sua Igreja e encontram nela a sua casa.
Por
outro lado, na leitura do livro de Rute encontram particular ressonância as
palavras de São Paulo: “ Vossa vida está escondida com cristo em Deus” (Col
3,13). Deus está presente em todas as encruzilhadas do mundo e atua com
discrição na vida ordinária: todos os detalhes da existência têm um relevo
singular quando, perseverando na fidelidade ao Senhor, como Rute, se descobrem
as marcas da sua atuação no dia a dia.
(Fonte: Faculdade de Teologia da Universidade
de Navarra)

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